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Lançada em 1991 no lendário Black Album, “Enter Sandman” não é apenas um dos maiores hits do Metallica — é também um marco na história do heavy metal.
Com riffs pesados, refrão inesquecível e clima sombrio, a faixa levou a banda para além do público do metal, conquistando as paradas e virando hino mundial.
Mas por trás dessa explosão de sucesso, existe um significado obscuro que poucos conhecem: pesadelos, medos infantis… e até a assustadora ideia da morte súbita infantil.

O Metallica em transição

Depois de …And Justice for All (1988), o Metallica percebeu que o thrash técnico e acelerado havia chegado ao limite.
James Hetfield e Lars Ulrich queriam algo diferente: músicas mais curtas, diretas e poderosas.
Com Bob Rock na produção, a banda mirava não apenas nos headbangers, mas no mainstream mundial. E foi com “Enter Sandman” que eles abriram essa porta.


Quem é o Sandman?

O título já intrigava: Sandman, figura do folclore europeu.
Na versão mais conhecida, ele joga areia nos olhos de quem está prestes a dormir, trazendo bons sonhos. Mas versões mais antigas eram bem mais sombrias:

  • Em contos alemães do século XIX, o Sandman arrancava os olhos das crianças que não dormiam e os oferecia a seus filhos monstruosos.
  • Diferente de vilões de contos de fadas, não havia como derrotá-lo: só dormir era a saída.

James Hetfield, inspirado nessa lenda, começou a escrever uma letra ainda mais pesada, que falava sobre síndrome da morte súbita infantil.


Da morte súbita ao pesadelo

O primeiro esboço da letra incluía a frase: “Destroy the perfect family” (“Destrua a família perfeita”).
Lars e Bob Rock acharam o tema perturbador demais e pediram mudanças.
Hetfield então reescreveu, transformando a música em uma espécie de canção de ninar às avessas: um ritual sombrio onde o Sandman invade o quarto da criança, trazendo não sonhos, mas pesadelos.


Neverland ou Never-Neverland?

Na letra, o Metallica faz referência a Peter Pan e à Terra do Nunca (Neverland).
Mas aqui, o destino é outro: Never-Neverland, um lugar de terror onde a inocência é destruída e os medos infantis ganham vida.
É o oposto do conto de fadas — um mundo onde crescer é inevitável e o perigo está sempre à espreita.


Oração invertida

Antes do solo de guitarra, Hetfield recita uma oração tradicional:

“Now I lay me down to sleep,
I pray the Lord my soul to keep…”

Geralmente, esse é um pedido de proteção infantil.
Mas dentro do clima da música, soa como uma súplica desesperada observada por uma criatura maligna.


O riff que mudou tudo

Kirk Hammett compôs o riff principal inspirado em Louder Than Love (1989), do Soundgarden.
Originalmente mais simples, ele foi ajustado até ganhar a repetição tripla que conhecemos hoje.
Esse riff, aliado à produção pesada de Bob Rock, criou uma das introduções mais reconhecíveis da história do metal.


Sucesso absoluto

Lançada como single em 1991, “Enter Sandman” chegou rapidamente ao top 20 da Billboard, impulsionando o Black Album para vendas de mais de 30 milhões de cópias.
A música virou presença obrigatória em todos os shows e DVDs do Metallica e se consolidou como um divisor de águas: a banda deixava de ser apenas um fenômeno do metal para se tornar um fenômeno da música mundial.


Conclusão

Mais de três décadas depois, “Enter Sandman” segue como porta de entrada ao mundo do heavy metal para milhões de fãs.
Mas por trás do refrão explosivo e da melodia viciante, há uma letra perturbadora que transforma uma simples canção de ninar em pesadelo.
E talvez seja justamente esse contraste — entre o familiar e o assustador — que faz dela um dos maiores hinos da história do rock.