No dia 8 de setembro de 2025, o mundo do rock perdeu uma de suas vozes mais inconfundíveis. Rick Davies, fundador, tecladista e vocalista do Supertramp, morreu aos 81 anos após uma longa batalha contra o mieloma múltiplo. Mais do que um músico, Davies foi a força criativa que ajudou a moldar a sonoridade sofisticada e visceral que levou o Supertramp ao topo nos anos 70 e 80.
O timbre que marcou gerações
A voz grave e melódica de Rick Davies era um contraponto perfeito ao tom agudo e lírico de Roger Hodgson. Juntos, criaram um dos duelos vocais mais icônicos da história do rock. Canções como Bloody Well Right, Goodbye Stranger e Crime of the Century carregam a marca inconfundível da interpretação de Davies, sempre entre a melancolia e a rebeldia.
Do piano à imortalidade
Davies não era apenas vocalista: seu piano e teclado eram motores criativos, responsáveis pelo DNA jazzístico-progressivo do Supertramp. Ele fundou a banda em 1969, em Londres, e viu o projeto se transformar em fenômeno global com álbuns como Breakfast in America (1979), que vendeu mais de 20 milhões de cópias e eternizou faixas como The Logical Song e Take the Long Way Home.
Mesmo após a saída de Hodgson em 1983, Davies manteve o Supertramp vivo, levando o grupo em turnês lotadas e lançando novos trabalhos, sempre com o compromisso de não se render à repetição ou ao oportunismo.
Uma luta silenciosa
Rick Davies já vinha lutando contra o câncer desde 2015, quando a doença obrigou o Supertramp a cancelar uma grande turnê. Ao longo dos últimos anos, viveu mais recluso, mas nunca deixou de ser referência para músicos e fãs. Seu falecimento agora é sentido não apenas pela comunidade do rock progressivo, mas por todos aqueles que encontraram na música do Supertramp um refúgio emocional.
Legado eterno
Rick Davies deixa um legado de composições atemporais, arranjos ousados e uma estética sonora que influenciou gerações de bandas. Sua música continua a ecoar, lembrando que o rock não é apenas grito ou distorção — mas também sofisticação, lirismo e emoção visceral.
O palco agora está silencioso, mas cada acorde de piano em School ou Crime of the Century continuará sendo o tributo mais honesto à genialidade de Davies.